Brasília Geral Hudson Cunha

DF: Curso técnico me abrirá portas no futuro, afirma estudante

DF: Curso técnico me abrirá portas no futuro, afirma estudante

Os setores de construção, bebidas, alimentos, minerais não metálicos e de serviços industriais de utilidade pública são os que possuem maior participação no PIB industrial do Distrito Federal. Juntos, esses segmentos representam 91,8% da indústria do DF. A média salarial dos empregados na indústria é de R$3.204. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Pensando em ingressar em um destes setores, a área da construção, Raiany Stephanie de Sousa, 22 anos, decidiu investir em um curso técnico. Raiany é moradora de Samambaia e está no último semestre do curso Técnico de Segurança do Trabalho oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Distrito Federal (SENAI-DF). Antes mesmo de concluir o curso, já começou a colocar o conhecimento em prática, por meio de estágio.

MAIS: Setor da indústria propõe ensino profissional como política de Estado

MAIS: Educação profissional é alternativa para integrar jovens “sem escola e emprego” ao mercado de trabalho

“Eu escolhi o curso técnico porque eu sei que, no futuro, ele poderá me abrir outras portas. É um curso de média duração, mais acessível, financeiramente, e, além disso, o mercado de trabalho e o salário são muito bons. Já me sinto preparada para o mercado de trabalho”, afirma.

Pesquisa realizada pela CNI, em 2016, apontou a importância da Educação Básica para a consolidação da “indústria do futuro” no país. No total, 42% das empresas industriais consultadas consideravam que o investimento em novos modelos de educação e em programas de treinamento seria uma das principais medidas para acelerar a adoção de tecnologias digitais.

Atualizar o currículo da Educação Básica, investindo na educação profissional, é uma das propostas encaminhadas pela confederação, em julho deste ano, aos candidatos à Presidência da República. O objetivo é aumentar a competitividade da indústria e do Brasil, e construir, nos próximos quatro anos, uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional.

Para o gerente-executivo de Estudos e Prospectiva da CNI, Márcio Guerra, um dos maiores problemas da Educação Básica é a falta de associação da teoria à prática. Guerra explica que os jovens têm muita dificuldade em aplicar o conhecimento adquirido e que a aprovação da Nova Base Comum Curricular (BNCC), em 2017, é um importante passo para uma melhor preparação para o mundo do trabalho.

“Com essa nova forma de organização curricular, nós temos uma grande chance de melhorar essa conexão com o mercado de trabalho, ou seja, é uma educação mais leve, ágil e direta e que leva a situações que o jovem consiga fazer a transposição do conhecimento do que acontece na sala de aula com o que acontece no mercado de trabalho”, pondera.

Ainda segundo o gerente-executivo, a educação profissional pode ser considerada um caminho mais curto e democrático para o emprego, mas não substitui a educação superior e não elimina a necessidade da Educação Básica. “É importante que as pessoas entendam que esse processo de se atualizar e de conhecer novas coisas e novas tecnologias, ter novos conhecimentos, é crucial para que eles se mantenham durante um bom tempo no mercado de trabalho”, destaca Guerra.

De acordo com o professor e pesquisador do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), Jairo Eduardo Borges de Andrade, a educação profissional é discutida há décadas como importante ferramenta para o crescimento do país.

“O que nós vimos depois da metade do século passado, especialmente depois da década de 80, foi o aparecimento da discussão da importância da educação para melhorar a competitividade. Isso aparece em função de mudanças no mundo do trabalho, em função de uma nova etapa da globalização”, explica.

Indústria 4.0
Segundo o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi, o sistema educacional é decisivo para o reconhecimento profissional e, consequentemente, para o crescimento do país. Lucchesi também afirma a importância de investir em pilares fundamentais para a educação como ciência, tecnologia e inovação.

“Precisamos fazer um grande esforço se queremos ajudar a agenda de inclusão social para o jovem brasileiro, para melhorar a produtividade do trabalho, para melhorar a possibilidade dos jovens se inserirem no mercado de trabalho, construírem seus projetos individuais e gerar mais riqueza, bem-estar e competitividade para as empresas e para o país”, ressalta.

As mudanças são necessárias para acompanhar os impactos da Indústria 4.0, a 4ª Revolução Industrial, que trará a integração do mundo físico e virtual, por meio de tecnologias digitais. Engenheiro de cibersegurança, técnico em informação e automação, mecânico de veículos híbridos e projetista para tecnologias 3D são algumas das novas profissões que devem surgir e se consolidar no mercado nos próximos cinco a dez anos, de acordo com o SENAI. A previsão é que surjam 30 novas ocupações em oito áreas.

 

Sobre o autor | Website

Jornalista Especializado em Comunicação Empresarial e Marketing em Mídias Digitais. É idealizador da Escola do Jornalista Digital e Diretor de Comunicação e Marketing da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta

*

Seja o primeiro a comentar!