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Tecnologia 4.0: Fábrica de carros usa mais de mil robôs para auxiliar funcionários

Tecnologia 4.0: Fábrica de carros usa mais de mil robôs para auxiliar funcionários

O processo de produção de empresas do setor industrial evoluiu com o avanço da tecnologia. Novos processos agilizam as atividades e a produção de empresas. As principais nações industrializadas têm inserido o conceito da Indústria 4.0 em suas estratégias para aumentar competitividade.

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A Indústria 4.0, também conhecida como quarta revolução industrial, é a incorporação, em larga escala, de tecnologias digitais voltadas para o processo de produção das empresas. O Gerente-executivo de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), João Emílio Gonçalves, explica a importância e como isso irá afetar as empresas. “A combinação dessas tecnologias na produção industrial vai ter um enorme impacto em competitividade, em aumento da produtividade e aumento da qualidade, e a tendência é que assim como ocorreu com as revoluções industriais anteriores, a chegada dessas novas tecnologias torne a forma tradicional de produzir crescentemente obsoleta”, defende.

Esse movimento se torna cada vez mais presente no Brasil. No país, uma das áreas que já tem a Indústria 4.0 inserida nos processos de produção é o setor automobilístico. Um exemplo disso é a fábrica da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), localizada em Betim, em Minas Gerais.

A empresa faz o uso da tecnologia para ter mais produtividade e eficiência na fabricação de veículos. Para isso desenvolveram o laboratório Manufacturing 2020, que é composto por plataformas dedicadas ao experimento de novas tecnologias ao reproduzir no meio digital cenários reais. É o que explica o Coordenador do Manufacturing2020 da FCA, Marcelo Lima.

“Quando a gente fala do Manufacturing2020, trazemos essas tecnologias para serem empregadas aí, aumentando qualidade, melhorando e trazendo inovação para os nossos processos. Hoje, temos softwares desde o momento em que estou desenhando a matemática do produto, desenhando o design do meu carro, até a etapa onde sai o meu primeiro carro da manufatura, da montagem final. Com esses softwares, conseguimos interagir através de realidade virtual, sendo imersiva ou totalmente imersiva para que termos o mais próximo, é o chamado conceito do digital twin [gêmeo digital], então a gente consegue fazer com que o meu processo esteja idêntico, semelhante ao meu processo virtual”, afirma.

Entre os projetos de inovação elaborados pela FCA, está uma pesquisa que recebeu o nome de Girassol. A ideia é aplicar a energia solar como fonte de energia elétrica nos veículos, reduzindo o consumo de combustível e, consequentemente, a emissão de gases, em especial o carbono. A meta da pesquisa é fabricar um carro que use dois modelos de geração de energia: combustível e solar.

Outro exemplo de uso de tecnologia que faz parte da Indústria 4.0 utilizada na FCA são os robôs colaborativos. Hoje a FCA possui mais de mil robôs em operação no seu polo automotivo. Eles auxiliam os funcionários da empresa nas atividades. É o que explica Marcelo Lima. “Fazem o trabalho para poder colaborar com o operador. O apelidamos de ‘garçom’. Então, esse robô serve ao operador, reduz alguns movimentos que a gente chama de “valor”, alguns movimentos que não agregam ao processo, que é, giro de tronco, às vezes um caminhar que você consegue reduzir e essas atividades em incorporação desses robôs dentro do processo acaba fazendo com que o nosso processo fique mais simples”, diz.

A partir da inserção desses robôs no processo, observou-se a redução média de 15% nas “atividades que não agregam valor” nas operações manuais, que são os movimentos desnecessários. Atualmente a FCA também possui parceria com 24 instituições de ensino e pesquisa em todo o país.

Evolução

O surgimento da Indústria 4.0 vem transformando a produção industrial com novos processos, produtos e modelos de negócios impensáveis há poucos anos e promete tornar os modelos convencionais de produção gradualmente ineficientes. Segundo a CNI, 48% das grandes empresas brasileiras pretendem investir em tecnologias 4.0, em 2018. O Especialista em Desenvolvimento Produtivo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Valdênio Araújo, defende a importância da adesão de novas tecnologias por parte das empresas. “A gente precisa organizar em vários eixos. Então organizar a empresa, a cultura da empresa e trabalhar a empresa para ser mais digital, é importante”, defende.

A implementação das tecnologias ligadas à Internet das Coisas, nos setores da economia, deverá impactar o PIB brasileiro em aproximadamente US$ 39 bilhões, até 2030. O ganho pode alcançar US$ 210 bilhões, caso o país crie condições para acelerar a absorção das tecnologias relacionadas. Até 2025, os processos relacionados à Indústria 4.0 poderão reduzir custos de manutenção de equipamentos entre 10% e 40%, reduzir o consumo de energia entre 10% e 20% e aumentar a eficiência do trabalho entre 10% e 25%.

Sobre o autor | Website

Jornalista Especializado em Comunicação Empresarial e Marketing em Mídias Digitais. É idealizador da Escola do Jornalista Digital e Diretor de Comunicação e Marketing da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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